sexta-feira, 18 de maio de 2012

O início

  Olá... É bom ter você aqui. Amigos, conhecidos e desconhecidos, bem vindo ao meu mundo pedante, irie me apresentar a todos vocês. Sim, TODOS. Nenhum de vocês, amigos, conhecidos e desconhecidos de fato não me conhecem. Basicamente sabem de uma parte da minha vida: A parte das bebedeiras, do Rock n' Roll, talvez das drogas, das mulheres, enfim, dessa minha vida péssima e nada invejável. Whatever...

  Senhoras e senhores, apresento-lhes a Rafael (pois é, esse é meu nome antes de Wolf), com esse texto escrito em diário que criei e abandonei. Eis o último registro:

05/05/2011 [Quinta] - 00:21h

"Mudança brusca... O que me tornei."

Cabelo curto, cara limpa, certificação da PF para agir como segurança profissional, carteira de habilitação saindo esse mês e noites, e mais noites, dentro de casa, de cara limpa. Esse agora sou eu.
Mudar, adaptar-se ao meio, ponto forte da "evolução' humana, se mostra extremamente necessário, sim. Seria injusto demais se eu não tivesse essa capacidade. Hora de jogar usando as regras certas. Por outro lado tive que aceitar o fato de que minha vida vai passar e eu não vou conseguir mudar nada no mundo. Nada... A menos que eu fique rico, coisa que acho difícil, mas só assim nos fazemos valer e sermos ouvidos. E depois... pra que eu quero ser ouvido?
Cheguei num ponto onde tô pouco me fudendo pra maioria. Menos ainda pra minoria. Desculpe, mas meu olhar agora está voltado para dentro. Focado no centro. Em mim mesmo. Sim, eu sou o centro! O centro da minha própria vida. Tudo o que acontece e deixa de acontecer tem origem aqui. Todas as decisões e ações. Toda atenção e desprezo também. Se antes alguém me julgava fechado vai ver que estava errado. Fechado eu estou agora.
Não! Não é negativismo! Não mesmo! Isso não vai me fazer mal. Não senhor, não senhora. Agora estou protegido de tudo, de todos, do mundo. Agora é minha vez.

Estarei na rua, na portaria, no prédio, na casa. Poderei estar em qualquer lugar. Um profissional centrado, armado e treinado para proteger quem puder pagar por isso, pois, merecer é outro nível. Estarei ali sendo alvo no seu lugar, poderei morrer no seu lugar, mas também poderei matar no seu lugar.
Olha só... Não é que eu me transformei no homem que sua mulher gostaria que você fosse? Não... Claro que não. Ela não queria que você fosse um pobre vigilante liso. Ela queria apenas que você fosse o cara que pagasse as contas, ou ajudasse a pagar, e não morresse. Parabéns, se você tiver grana o suficiente eu posso satisfazer a vontade dela. Ops... De novo, foi sem querer. Juro que não tenho a intenção de irritar ninguém. Se você pensar que vai voltar a ver seus filhos caso eu morra no seu lugar a coisa muda de figura, não muda? Claro que muda... Se eles tiverem consciência do que aconteceu eu serei o herói deles. Merda... Fiz de novo. Desculpe.

Bem, pelo menos agora você sabe exatamente quem eu sou. Não sou melhor que você, eu tenho plena consciência disso. Se sou pior que você... Não sei, analisemos. O fato é que você é um profissional, eu também. Você tem família, um bom emprego, talvez tenha filhos. Eu? Eu sou seu empregado, o cara que protege sua mulher, seus filhos e você mesmo. Concordamos que ser alguém melhor ou pior é algo relativo? Não? Então imagine você sob a mira de uma arma sem minha pessoa por perto. Boa sorte.